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Será que você realmente tem alergia à Penicilina?

A penicilina é o mais antigo dos antibióticos e, desde sua descoberta, vem sendo usada na medicina como arma para combater infecções.

Justamente por ser tão popular, ela desperta muitas dúvidas. Principalmente quando falamos da alergia à penicilina, que costuma ser uma ocorrência comum.

Mas será que você realmente tem alergia à penicilina? Siga com a leitura deste artigo e entenda mais sobre o tema.

O que é penicilina?o que é penicilina

Usada pela primeira vez no início da década de 1940, a Penicilina foi um dos primeiros antibióticos produzidos. Desde então, ela salvou milhões de vidas ao longo da história.

Posteriormente, a síntese de compostos similares deu lugar à criação de famílias de moléculas com o mesmo perfil químico. Além de o mesmo mecanismo de ação, surgindo assim as Penicilinas Semi-sintéticas e as Sintéticas.

A maioria das Penicilinas são antibióticos com espectro de ação relativamente estreita. Isso significa que elas agem de forma mais seletiva, matando as bactérias que causam doença sem perturbar bactérias úteis ou as células humanas.

Por que a Penicilina causa alergias?

Por terem ação estreita, as Penicilinas ainda são a família de antibióticos mais utilizada e menos tóxica. Ainda assim, elas podem se ligar às proteínas do soro humano e, então, provocar reações alérgicas em indivíduos suscetíveis. Além de outras reações adversas.

A alergia à Penicilina e aos antibióticos de forma geral podem ser graves, incluindo sintomas como urticária, angioedema ou chiado e choque anafilático.

Pessoas com tais reações têm direito a informação e orientação apropriada. No entanto, o problema é que muitos (e provavelmente a maioria das pessoas) que dizem que possuem alergia à Penicilina, na realidade, não têm.

Quem tem alergia à Penicilina, então?
alergia à penicilina

Aproximadamente 10% de todos os pacientes de uma população hospitalar relatam ter tido reação alérgica à Penicilina no seu passado.

No entanto, muitos pacientes que relatam alergia à Penicilina, não tiveram verdadeiras reações alérgicas. Quando avaliados imunologicamente, menos de 4% destes são verdadeiramente alérgicos à Penicilina.

Alem disso, aproximadamente 80% dos pacientes com alergia à Penicilina perdem sua sensibilização alérgica depois de 10 anos.

Atualmente, os exames de sangue disponíveis comercialmente para alergia à Penicilina não são úteis. Afinal, eles não se correlacionam com parâmetros mais confiáveis como o Teste de Provocação Oral.

Recentemente, está em desenvolvimento um teste relativamente simples e altamente confiável que pode determinar se uma pessoa tem ou não alergia à Penicilina. O Teste de Alergia à Penicilina pode ser executado por um Alergista Imunologista treinado para realizar testes cutâneos e na assistência de reações alérgicas agudas.

Pacientes negativos ao teste de Alergia à Penicilina tem menos de 3% de chance de desenvolver uma reação à Penicilina, chance similar à de qualquer outra pessoa.

A importância do Teste de Alergia à Penicilina

Ao longo dos anos, a conduta padrão para pacientes que dizem ser alérgicos à Penicilina tem sido a de apenas evitar todas as penicilinas. Porém, agora sabemos que existem riscos significativos associados ao “apenas evitar”.

Os antibióticos de amplo espectro são, muitas vezes, usados como uma alternativa às penicilinas. No entanto, as pesquisas tem mostrado que o uso destes antibióticos em pacientes rotulados como alérgicos está associado com o aumento do risco de infecções graves pelas temidas Bactérias Super-resistentes aos Antibióticos. Vulgarmente conhecidas como Superbactérias.

Além disso, há aumento na estadia hospitalar e dos custos do atendimento para o próprio paciente e para o sistema de saúde.
alergia à penicilina

Dessa forma, identificar corretamente aqueles que não são alérgicos à penicilina pode diminuir o uso de antibióticos de amplo espectro. Além de reduzir a exposição desnecessária dos pacientes às infecções desencadeadas por bactérias multirresistentes e os custos do atendimento em saúde.

Quem deve se submeter ao teste

Quase todos com uma história da “alergia à Penicilina” podem ser testados com segurança. Isso inclui indivíduos que tenham antecedentes de anafilaxia, urticária ou outras erupções cutâneas benignas. Além de sintomas gastrointestinais, dores de cabeça. Ou até reações desconhecidas, associadas com o uso prévio de Penicilina.

O CDC, Centro de Controle de Doenças de USA, considera que todos os indivíduos com histórico de alergia à Penicilina devem realizar Teste. Assim como todos aqueles que se considerem alérgicos e estiverem programando uma internação. Ou os indivíduos que utilizam, em média, um ou mais cursos de antibióticos por ano.

O Teste de Alergia à Penicilina também tem sido uma recomendação da Academia Americana de Alergia, Asma e Imunologia e o American Board of Internal Medicine desde 2014.

Por fim, ainda é possível realizar a Dessensibilização Oral, um método que induz tolerância do paciente para o medicamento. E, assim, permitir que o mesmo possa tomar Penicilina sem risco de reações graves. O método deve ser considerado sempre que indivíduos necessitem da Penicilina para tratamento de infecções crônicas e/ou potencialmente fatais.

 

Dr. Javier Ricardo Carbajal Lizárraga.

Alergista e Imunologista.

CRM 92607.

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