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Terapia de reposição / Pulsoterapia com Imunoglobulina: entenda como funciona

O que são Anticorpos e o que são Imunoglobulinas?

Anticorpos são moléculas (proteínas) circulantes no sangue, que funcionam como marcadores do que é estranho ao organismo, ex: bactérias, vírus, toxinas e até células que degeneram transformando-se em células neoplásicas, que logo podem gerar câncer. As células imunológicas conseguem enxergar estas ameaças com muito mais facilidade quando marcadas pelos anticorpos, também chamados de Imunoglobulinas.

O termo “Imunoglobulina” ou “Ig”, vem do fato de elas terem forma esférica (“globulina”) e são fabricadas pelo sistema imunológico, (“Imuno”). Clinicamente falando, refere-se à fração de plasma sanguíneo que contém aquele grupo de proteínas que possuem função de anticorpo.

Existem classes diferentes de anticorpos?

Imunodeficiência devido a deficiência de Anticorpos Anti-polissacarídeosAlgumas diferencias químicas e funcionais diferenciam éstas imunoglobulinas (Ig) em classes e algumas delas ainda em subclasses.

Atualmente se reconhecem no ser humano 5 classes de Imunoglobulinas, a Imunoglobulina M (IgM), a Imunoglobulina G (IgG), a Imunoglobulina A (IgA), a Imunoglobulina E (IgE) e a Imunoglobulina D (IgD). Sendo que existem quatro subclasses de IgG, denominadas por número IgG1, IgG2, IgG3 e IgG4, e duas subclasses de IgA, a IgA1 e a IgA2. 

Embora cada classe de imunoglobulina tem sua importância funcional particular, de forma geral, a mais eficiente de todas é a IgG. Por isso é a mais fabricada pelo sistema imune, chegando a ser normalmente 70% do total das Imunoglobulinas. 

São todas as Imunodeficiências dependentes da falha em anticorpos?

Entre todas as Imunodeficiências Primárias/Erros Inatos da Imunidade, aquelas caracterizadas pela alteração na quantidade e/ou função de anticorpos, Imunodeficiência com predominância de defeitos de anticorpos (CID 80,0-9 e CID 83,0-9), constituem aproximadamente 60% dos casos.

No entanto, já existe uma terapia eficaz para a maioria desses pacientes, que, por sua vez, conseguem otimizar sua saúde, melhorar a qualidade de vida e se tornarem membros produtivos da sociedade, esta é a Terapia de Reposição / Pulsoterapia com Imunoglobulina. 

Para esta terapia, fatores como qual apresentação, doses, frequência, via de administração, técnica de aplicação, etc., devem ser definidos individualmente pelo seu médico imunologista clínico.

O que é Terapia com Imunoglobulina?

Indivíduos que são incapazes de produzir quantidades adequadas de Imunoglobulina (anticorpos), podem se beneficiar da Terapia de Reposição/Pulsoterapia com Imunoglobulina humana purificada.

A Imunoglobulina Humana purificada, também chamada simplesmente de Imunoglobulina ou Ig, tem sido usada por quase 65 anos no mundo todo para tratar defeitos na produção e na qualidade de anticorpos. Atualmente conta com um excelente nível de segurança.

Há literalmente milhares de anticorpos diferentes em cada pessoa normal. Mas, como há tantos germes diferentes, nenhuma pessoa possui anticorpos para todos os germes. A melhor maneira de garantir que a Imunoglobulina irá conter uma ampla variedade de anticorpos, portanto, é combinar o plasma de muitos indivíduos criando um “pool” de anticorpos.

Como a Terapia com Imunoglobulina funciona?

Para preparar a Imunoglobulina comercialmente disponível, ela deve primeiro ser extraída e purificada a partir do plasma de um grande número de indivíduos normais. Geralmente, entre 10.000 e 60.000, que foram cuidadosamente selecionados para se certificar de que eles são saudáveis e não abrigam qualquer doença infecciosa.

Durante o processo de purificação e com o produto final, são aplicados vários métodos para destruir ou remover todo tipo de vírus, incluindo HIV. Assim, é possível garantir que o produto final não vai transmitir nenhuma das doenças infecciosas conhecidas ao paciente.

Com isso, a Terapia com Imunoglobulina contém uma ampla gama de anticorpos específicos para diferentes tipos de bactérias e vírus. Sendo assim muito eficaz em ajudar às células de defesa do corpo para matar as bactérias e os vírus. Além de outros microrganismos que podem estar nos tecidos ou sangue do paciente a ser tratado. Além disso, é segura para ser administrada para adultos, crianças e durante a gravidez.

A administração de Imunoglobulina tem sido, tradicionalmente, pela via intravenosa (IVIG) (infusão de grandes volumes de Ig) uma vez a cada três ou quatro semanas.

Só pode ser aplicada pela veia?

Existem no mercado produtos destinados à administração pela via subcutânea, mas o volume tolerado no esquema convencional é uma limitação; com isso, a reposição de Imunoglobulina, quando feita pela via subcutânea com a técnica convencional (IGSCc) deve ser feita dando pequenas infusões sob a pele, semanalmente ou tão frequentemente como a cada um a três dias.

Ainda, pela via subcutânea, a infusão é mais rápida. Além disso, os riscos de efeitos adversos são menores. além de, os níveis de Ig no corpo serem mais constantes, com melhores resultados terapêuticos.

Recentemente, foi aprovado para o mercado uma preparação comercial que pode ser aplicada pela via subcutânea a cada 4 semanas com os mesmos resultados que a via subcutânea convencional. Esto é logrado mediante a aplicação previa localmente de um preparado farmacológico que consegue abrir transitoriamente o espaço subcutâneo para permitir a aplicação de toda a dose necessária para 28 dias, esta técnica tem vindo a ser chamada de Imunoglobulina Subcutânea Facilitada (IGSCf).

Tratamento adequado para cada paciente

Com a colaboração do seu médico  imunologista clínico, os pacientes têm flexibilidade para desenvolver um regime de aplicação que seja adaptado ao seu estilo de vida.

As doses, o número de infusões por semana, quando as infusões serão feitas e o número de agulhas a utilizar são variáveis que devem ser consideradas para a concepção do regime de SCIG de um paciente individual. Além disso, é importante saber se o medicamento será infundido utilizando uma bomba de infusão ou administrado com seringa manual. Sem contar com a taxa de infusão.

Os pacientes ainda devem estar dispostos a se comprometerem com esta terapia. Portanto, não devem “pular” doses ou alterar seu regime sem consultar seu médico especialista em Imunologia.

É importante compreender que as unidades de Ig que são dadas substituem parcialmente o que o corpo precisa. Ainda assim, não estimulam o sistema imunitário do paciente para desenvolver mais Imunoglobulinas (anticorpos).

Além disso, a Terapia com Imunoglobulina apenas fornece proteção temporária. A maior parte dos anticorpos, produzidos pelo próprio sistema imunitário do paciente ou dados sob a forma de infusão, são metabolizados em três a quatro semanas. Então, são eliminados pelo corpo e devem ser constantemente reabastecidos.

Uma vez que Terapia com Imunoglobulina repõe apenas o produto final ausente, mas não corrige defeitos do paciente na produção de anticorpos, sua infusão é geralmente necessária durante toda a vida.

Quando bem aplicada e estritamente seguida a terapia com imunoglobulina permite ao paciente levar uma vida plena e produtiva.

Dr. Javier Ricardo Carbajal Lizárraga
Cremesp 92607
Especialista em Alergia e Imunologia

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