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TDAH problemas de aprendizado, Infecções recorrentes e Imunodeficiências Primárias

As infecções recorrentes podem impactar diretamente no aprendizado de uma criança, e quando não tratadas, elas geram reações imunológicas que podem levar a problemas como déficit de atenção, memória e hiperatividade TDAH.

Continue com a leitura deste artigo e entenda se não é o momento de procurar ajuda médica especializada!

Infecções recorrentes e as reações imunológicas

A comunicação dentro do organismo por meio da secreção de pequenas moléculas de sinalização é um fato. Isso vale tanto para o sistema nervoso, através de neurotransmissores, como para o sistema imunológico, através de citocinas.

Então, tanto os neurotransmissores quanto as citocinas influenciam nas suas células-alvo por meio de receptores de superfície nas membranas celulares delas.

Ainda, sabe-se atualmente que existe constante troca de mensagens entre estes dois sistemas complexos, por meio destes neurotransmissores e citocinas; que se tornaram, a cada vez mais intensamente, objetos de investigação científica.

Durante o processo de aprendizado as redes nervosas da corteza cerebral formam memórias que alteram a fiação física das ramificações entre os neurônios (dendritos). Então, aumentam a força das conexões (sinapses).

De outro lado, também é sabido que pacientes com doenças infecciosas recorrentes desde etapas iniciais da vida podem ter desempenho mais fraco na coordenação motora, além de experimentarem declínio nas funções de atenção e memória.

Reações imunológicas e o processo de aprendizado

Novas pesquisas têm mostrado um mecanismo pelo qual a própria reação imunológica do organismo pode causar problemas de aprendizagem e memória. Sendo que isso pode acontecer durante uma infecção por vírus, como da gripe.

Assim, tem sido demonstrado que a ativação do sistema imunológico desencadeada pela presença de um vírus provoca perda de conexões entre as células nervosas dentro dos circuitos do cérebro responsáveis pelo aprendizado.

Com isso, as mudanças observadas nas conexões nervosas não foram provocadas no cérebro, mas, fora do sistema nervoso central (periferia);  justamente, onde a infecção viral faz o primeiro contato com células chamadas monócitos (tipo de células de defesa) no sangue.

A entrada do vírus em qualquer lugar na corrente sanguínea ativa estas células imunológicas que, em seguida, liberam uma proteína inflamatória sinalizadora (citocina), chamada TNF-alfa. Então, o TNF-alfa viaja para o cérebro, onde ele bloqueia a formação de conexões (dendritos e sinapses) entre células nervosas, necessárias para transformar informações sensoriais em memórias.

Tratamento de doenças imunológicas e transtornos neurológicos

Uma visão contemporânea da importância do controle das recorrências de infecções, como também de doenças autoimunes e inflamatórias, está emergindo no tratamento de transtornos neurológicos. Dentre eles, autismo, epilepsia, a Síndrome TDAH – Transtorno de Déficit de Atenção, memória e Hiperatividade. Por estarem muitas vezes associados com Imunodeficiências Primárias.

Nesse sentido, tem sido já descrito melhora cognitiva associada com reposição de Imunoglobulina (anticorpos) em pacientes com Imunodeficiência Primária, infecções crônicas ou recorrentes e TDAH.

Estes achados também reforçam a necessidade e importância da vacinação precoce contra doenças infecto-contagiosas. Assim, ela deve ser usada como ferramenta para evitar as respostas inflamatórias extensas e/ou desenfreadas num processo infeccioso. Ao contrário do que ocorre quando comparado à resposta mais limitada, específica e duradoura desencadeada pela própria vacina.

Dr. Javier Ricardo Carbajal Lizárraga
Especialista em Alergia e Imunologia
CREMESP 92607

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