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Imunomodulação: conheça a terapia com Imunobiológicos ou Biológicos

A pesquisa científica na área das Doenças Autoimunes e Inflamatórias tem sido intensa. Resultando, assim, num conhecimento mais detalhado dos mecanismos destas doenças.

Com isso, o papel que o sistema imunológico desempenha no surgimento e progressão das mesmas está mais claro. E novos enfoques e tratamentos têm aparecido continuamente nos últimos anos. Entre elas, a terapia com Imunobiológicos ou Biológicos.

Exemplos de Doenças Autoimunes e Inflamatórias

 

Entre as Doenças Autoimunes e Inflamatórias que se beneficiam da terapia com Imunobiológicos ou Biológicos estão:

Asma, Psoríase, Artrite Reumatóide, Espondilite Anquilosante, Esclerose Múltipla, Dermatite Atópica, Doença Inflamatória Intestinal, Púrpura Trombocitopênica Idiopática, Lupus Eritematoso Sistémico, um grupo de doenças chamadas em conjunto de Síndromes Autoinflamatórios, etc..

Os tratamentos convencionais aplicados para estas doenças vem sindo por vezes complementados e muitas vezes substituidos com grandes vantagens por tratamentos com Biológicos.

Tratamentos convencionais das Doenças Autoimunes

Os tratamentos sistêmicos convencionais se baseiam em suprimir de forma extensa a resposta imunológica do indivíduo.

Entre os que demonstraram serem eficazes estão os Corticoides, Ciclosporina, Metrotexato, Azatioprina etc. No entanto, todos trazem um risco elevado de toxicidade. Além de infecções e neoplasias, que impedem o seu uso prolongado e continuado.

Todas as Doenças Autoimunes, no entanto, apresentam alterações dos mecanismos imunológicos. E os avanços no conhecimento destas alterações permitiu o desenvolvimento de novos tratamentos. Estes tratamentos atuam seletivamente em células e/ou moléculas imunológicas importantes na indução e manutenção das lesões.

O que são Agentes Imunobiológicos

Agentes Imunobiológicos, também chamados de Agentes Biológicos ou Biológicos, são proteínas fabricadas por biossíntese em células vivas mediante técnicas de engenharia genética. Assim, elas podem ser usadas como ferramentas para modificar pontos estratégicos da resposta imunológica ou outros processos fisiológicos / patológicos.

Os esquemas desenhados para o tratamento destas doenças, baseados no uso destes agentes Imunobiológicos, são denominados genericamente de Imunomodulação, Terapia com Imunobiológicos ou simplesmente Terapia com Biológicos.

No entanto, os Biológicos são uma classe ampla de produtos. Existem hormônios, fatores de crescimento e de diferenciação celular, anticorpos monoclonais, entre outros.

 

Imunologia e os Agentes Biológicos

Na área da Imunologia, estes Agentes Biológicos podem ser Citocinas (pequenas proteínas que orientam o acionar das células imunológicas). Bem como receptores de citocinas ou mesmo Anticorpos Monoclonais, que podem ser dirigidos contra Citocinas ou seus respectivos receptores. São justamentes estes que vêm revolucionando o tratamento do câncer, doenças autoimunes e autoinflamatórias.

Estes Anticorpos Monoclonais funcionam como “mísseis teleguiados” que localizam o alvo contra o qual foram produzidos, de forma muito precisa e específica. Assim, eles podem marcar ou destruir células tumorais, inativar citocinas, estimular ou silenciar receptores; além de ligar ou desligar funções fisiológicas e interromper processos patológicos.

A aplicação destes anticorpos no tratamento de doenças autoimunes tem levado à melhora dos sinais e sintomas e tem sido possível levar os paciente a remissões durante longos períodos de tempo, sem maior alteração das funções imunológicas normais; pacientes que não tinham apresentado muito resultado com os tratamentos convencionais. Infliximabe, Omalizumabe, Adalimumabe, são alguns dos biológicos já conhecidos por médicos e pacientes. Outros como Ustequinumabe, Secuquinumabe, Dupilumabe, etc. tem chegado recentemente para oferecer soluções onde os primeiros não mostraram grandes benefícios.

Os benefícios da Imunomodulação

A correta e segura aplicação de Imunomodulação, Terapia com Imunobiológicos ou Terapia com Biológicos exige profundo conhecimento dos mecanismos imunológicos. Tanto na saúde, quanto na doença.

Além da eficácia observada, uma das maiores vantagens da Imunomodulação é o seu perfil de segurança. Quando bem utilizados, há ausência da maioria dos efeitos tóxicos característicos dos tratamentos sistêmicos imunossupressores convencionais.

 

Reações e contraindicações da Imunomodulação

Os medicamentos biológicos são macromoléculas e, portanto, são geralmente imunogênicos. Isso significa que eles podem desencadear uma resposta imune contra eles mesmos, de parte do paciente que os recebe.

A intensidade e as consequências da imunogenicidade dos medicamentos biológicos são variáveis. Podem ocorrer reações de hipersensibilidade ao produto ou diminuição da eficácia ao longo do tempo. Além de eventualmente haver a quebra de alguma função imunológica, importante para a defessa do próprio organismo.

Eles são contraindicados em mulheres grávidas ou que estejam amamentando; pacientes com infecção ativa, como tuberculose, Hepatite Viral C ou B; alem de, pacientes com diagnóstico atual ou pregresso de neoplasias (menos de 5 cinco anos).

Por isso, a equipe médica deve acompanhar a evolução do paciente de maneira estreita. Avaliando principalmente o possível surgimento de sinais de infecção, que deve ser tratada de forma pronta e imediata.

O paciente, por sua vez, tem que se comprometer com o tratamento. Evitando “pular” doses e/ou seus controles periódicos, sob risco de toxicidade, complicações ou falha na eficácia.

Contudo, o uso de Biológicos na área médica por mais de uma década não tem apresentado riscos graves para a segurança dos pacientes. Mesmo que no longo prazo.

Atualmente, os Imunobiológicos são considerados seguros, essenciais e indispensáveis como alternativa terapêutica para o tratamento das Doenças Autoimunes e Inflamatórias.

Dr. Javier Ricardo Carbajal Lizárraga.
CRM 92607.
Especialista em Alergia e Imunologia.

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