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Imunodeficiências em crianças: quando suspeitar?

Uma razão comum para levar um bebê ou criança para uma consulta médica são as infecções recorrentes. Sendo que elas podem ser altas em número, muito severas ou duradouras. No entanto, as infecções recorrentes estão associadas a complicações incomuns ou que não conseguem ser resolvidas com a terapia padrão.

Na maioria das vezes, no entanto, estas categorias podem ser determinadas a partir de inquéritos de triagem. Além de história clínica e/ou exame físico.

Siga com a leitura e entenda melhor como identificar Imunodeficiências em crianças para tratá-las adequadamente.

O que são Imunodeficiências

Imunodeficiências em criançasAs Imunodeficiências Primárias (IP) formam um grupo diverso de doenças. Como resultado de uma ou mais anormalidades do sistema imunológico, porém, aumentam a susceptibilidade para infecção, alergias, autoimunide, doenças inflamatórias e/ou neoplasias.

A prevalência das Imunodeficiências em crianças depende do tipo de imunodeficiência. Algumas, como a Deficiência Seletiva de IGA, podem ser tão frequentes como em 1 entre 200 indivíduos. Outras, como as deficiências do complemento, são tão incomuns como em 1 entre 60.000 pessoas.

Embora a verdadeira prevalência de Imunodeficiências em crianças possa ser mais elevada devido a todas elas serem sub-diagnosticadas, a incidência é falseada pelo fato de muitas crianças morrerem de infecção antes da suspeição diagnóstica.

Como reconhecer os sintomas das Imunodeficiências em crianças
Imunodeficiências em crianças como reconhecer

O pediatra e singularmente o neonatologista têm um importante papel em reconhecer os sinais e sintomas dessas doenças.

Assim, é possível prover a melhor abordagem terapêutica e acompanhamento especializado. Antes que as complicações graves ou dano tecidual permanente possam ocorrer.

Alguns exemplos de sintomas das Imunodeficiências em crianças são: diarreia, falha no desenvolvimento, infecções oportunistas e infecções bacterianas ou fúngicas com organismos incomuns.

As infecções inusualmente severas ou recorrentes com organismos comuns em uma criança com menos de três meses também deveriam levantar suspeitas para Imunodeficiências. Porém, estas condições também são comuns em crianças que não têm uma IP, o que levanta a questão de como identificar as crianças com necessidade de avaliação imunológica.

Ainda, uma avaliação detalhada do Reino Unido constatou que os três sinais de advertência mais úteis para o diagnóstico de Imunodeficiências em crianças são:

diagnóstico Imunodeficiências em crianças

  • história familiar positiva,
  • algum diagnóstico de sepse tratada com antibióticos intravenoso,
  • falha no desenvolvimento da criança.

Na nossa experiência, ainda temos notado com frequência os seguintes sintomas:

  • falta de clareamento das infecções,
  • infecções severas,
  • alergias respiratórias ou alimentares de difícil controle,
  • Dermatites Atópicas Severas ou rebeldes ao tratamento,
  • autoimunidade,
  • Etc. 

Portanto, estes achados podem ajudar os médicos pediatras e neonatologistas a identificar Imunodeficiências em crianças.

Histórico familiar e dados adicionais

Uma história familiar de IP é o mais forte fator preditivo de que uma criança tenha este tipo de doença. Portanto, na história familiar deve constar dados a respeito de consanguinidade dos pais (difícil de ser declarada espontaneamente no nosso meio). Além de morte precoce, infecções graves ou repetidas e ocorrência de doenças autoimunes ou neoplasias em parentes próximos ou distantes.

Dados adicionais também devem ser levados em consideração. Por exemplo, uma criança com infecções recorrentes em um único sítio anatômico é mais provável que tenha um defeito anatômico. No entanto, se as infecções recorrentes forem presente em dois ou mais sítios, uma IP deve ser pesquisada.

Além disso, as crianças tendem a “superar” as infecções, tendo menos infecções na medida que se desenvolvem. Portanto, uma IP deve ser considerada se as infecções de uma criança aumentam em freqüência ou tornam-se mais severas quando ele ou ela cresce.

Lembrando que as infecções recorrentes e/ou sérias com patógenos comuns podem ser um sinal de Imunodeficiências em crianças. Sendo que todas as infecções incomuns, incluindo meningite, sepse, e infecções fúngicas e oportunistas, devem levantar suspeitas de uma IP.

Exames para identificação da doença

Quando uma Imunodeficiência em criança é suspeita, a triagem laboratorial inicial deve incluir um Hemograma Completo com diferencial das células. Além de Dosagem de Imunoglobulinas do soro (classes e subclasses) e dos Níveis do Complemento, assim como tipagem das células imunológicas.

exames diagnóstico IP

A infecção do vírus da imunodeficiência humana também deve ser considerada, e os testes devem ser realizados, se apropriado.

Lembrando que, para crianças de 18 meses de idade ou mais velhos, o teste de detecção de anticorpos contra HIV (Elisa) é suficiente para o diagnóstico. Porém, os anticorpos maternos contra o HIV atravessam a placenta, então, o teste de carga viral (Teste de reação em cadeia do polimerase de DNA do HIV ou o teste do ensaio do RNA do HIV) é exigido em crianças de até 18 meses.

Em recém-nascidos expostos (para identificar aqueles que possam ter adquirido a infecção do HIV no período perinatal), é recomendado durante os primeiros 14 a 21 dias de vida, um mês de idade e de novo com quatro a seis meses de idade.

Por fim, se os resultados laboratoriais forem anormais, ou se a suspeita clínica persistir embora os resultados laboratoriais pareçam normais, as crianças deverão ser referidas para avaliação do especialista.

 

Dr. Javier Ricardo Carbajal Lizárraga
Cremesp 92607
Especialista em Alergia e Imunologia

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