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Herpes Simples: conheça as espécies, causas e tratamentos do vírus

Existem duas espécies de Vírus Herpes Simples: o Herpes Simples 1 (HSV-1) e o Herpes Simples 2 (HSV-2). Sendo que os dois são comumente a causa de Herpes Labial e Herpes Genital.

O Herpes Labial é a forma mais comum de infecção. Geralmente, é causado pelo HSV-1, enquanto o Herpes Genital é geralmente causado pelo HSV-2. No entanto, o HSV-2 é responsável pelo Herpes Labial em cerca de  10-15% dos casos.

A Infecção viral primária pode ou não resultar em sintomas clínicos. Enquanto 80-90% da população adulta tem evidência sorológica de alguma vez ter tido infecção com vírus do HSV-1, apenas cerca de 30% das pessoas tiveram surtos clinicamente aparentes.

Como acontece a infecção do Herpes Simples
infecção Herpes simples

Para a infecção do Herpes Simples ocorrer, é necessário o contato de um indivíduo que é suscetível. Ou seja, que não possui anticorpos contra o vírus, com os fluidos corporais de uma pessoa que tem lesões ativas.

O HSV-1 é primeiramente transmitido na infância, pelo compartilhamento de utensílios ou toalhas. No entanto, pode ser adquirido em idade adulta por contato social ou sexual. Já o HSV-2 é transmitido quase exclusivamente por contato sexual.

Herpes Labial

Durante a infecção inicial, muitas proteínas virais são expressas. No entanto, isto ocorre durante um curto período de tempo. Ainda, durante a infecção latente, pouca ou nenhuma proteína viral é expressa. Em conjunto, isto contribui para dificultar o reconhecimento do vírus e a ação do sistema imunológico.

No Herpes Labial Primário, o vírus invade as células epidérmicas e dérmicas e viaja para os neurônios sensoriais. Alojando-se, assim, no Gânglio Trigeminal, onde a latência é estabelecida. Os sintomas aparecem 2 a 20 dias após o contato.

Herpes labial

As lesões do Herpes Labial consistem de um grupo de vesículas sobre base eritematosa localizadas na união da mucosa

labial com a pele. Ainda assim, podem se apresentar úlceras na gengiva, palato oral ou língua. Estas lesões podem variar de assintomáticas a muito dolorosas, podendo levar até a desidratação por falta de ingesta nas crianças.

O diagnóstico de uma infecção pelo vírus do HSV-1 geralmente é feito pela aparência das lesões e o histórico do paciente.

Aproximadamente um terço dos pacientes que sofrem da infecção HSV-1 inicial passam a ter Herpes Labial Recorrente, com lesões no local primário da infecção ou perto dele.

Sintomas e frequência de manifestação

Sintomas de formigamento, dor, parestesias, prurido e ardor precedem às lesões em 60% das pessoas, sendo os sintomas de duração mais curta e menos grave.

A maioria dos pacientes têm menos de dois episódios por ano, mas entre 5-10% experimentam seis ou mais recorrências por ano.

Os surtos são frequentemente induzidos pela exposição à luz ultravioleta (luz solar e/ou bronzeamento artificial). Além de estresse físico e/ou emocional, imunossupressão, resfriado comum, febre, exposição excessiva ao vento e/ou temperaturas extremas. Assim como períodos menstruais, gravidez, procedimentos odontológicos ou trauma de lábio. Rejuvenescimento com laser, injeção de toxina botulínica e/ou enchimentos na região perioral também podem estimular um surto.

O Herpes Labial Recorrente afeta milhões de pessoas no mundo todo: cerca de 20-40% da população adulta. Portanto, é um distúrbio significativo com consequências sociais e econômicas sérias.

Embora o HSV-2 também possa afetar a mucosa oral, como já foi dito, isto é muito menos comum e não tende a tornar-se recorrente.
herpes genital

Durante a infecção primária pelo HSV-2, os pacientes podem apresentar múltiplas e graves úlceras genitais bilaterais (Herpes Genital). Ainda podem desenvolver disúria, cervicite (inflamação do colo uterino) e linfadenopatia inguinal.

Manifestações sistêmicas como febre, mialgias, dores de cabeça e sintomas de meningite asséptica podem acompanhar o Herpes Genital Primário.

As lesões resolvem dentro do curso de 3 semanas. Entretanto, o HSV-2 estabelece infecção no Gânglio nervoso Sacral, onde o vírus é protegido da ação do sistema imune do hospedeiro. Então, o Gânglio Sacral age como reservatório para futuras recorrências de erupção genital, que podem ser precipitadas por vários estímulos, tais como stress, febre, extremos de temperatura, imunossupressão ou trauma.

Tratamentos para o Herpes Simples
tratamento Herpes

Sob bases teóricas, pode-se dizer que, no momento atua,l não há nenhum tratamento indiscutivelmente eficaz para a infecção pelo Herpes Simples. Portanto, teoricamente, uma vez contraído, a infecção é para o resto da vida.

No entanto, na prática de consultório é comum observar que grande parte dos pacientes com Herpes Recorrente nunca seguiram um tratamento completo.

Na clínica, o que observamos sobre os pacientes com Herpes Simples é que quando chegam a procurar assistência médica, já demonstram um quadro clínico com recorrências de intervalos curtos. Tendo recebido até então medidas paliativas ou terapias de eficácia modesta.

Todos os tratamentos são mais eficazes se usados no inicio do aparecimento dos sintomas. A terapia antiviral encurta o curso dos sintomas e pode impedir a disseminação e transmissão. Ainda assim, os tratamentos tópicos comercialmente disponíveis são muito menos eficazes do que a terapia sistêmica. Afinal, alguns Antivirais têm mostrado ser eficazes na prevenção do Herpes Recorrente quando tomados antes do aparecimento de quaisquer sintomas ou exposição a gatilhos, como terapia supressiva diária.

Mudanças do estilo de vida podem ajudar diminuindo as chances de reinfecção e/ou infecções cruzadas.

Tratamento com vacinas

As vacinas para tratamento do Herpes Simples atuais baseiam-se em dois aspectos. O primeiro é apresentar ao vacina herpessistema imunológico proteínas virais durante um tempo maior que o natural. Dessa forma, facilitam para o sistema imunológico a identificação delas e consequente produção de anticorpos específicos.

No segundo, os coadjuvantes têm a função de modular a resposta imunológica de forma de estimular a multiplicação da população de células com memória imunológica. E, assim, diminuir as chances de recidiva.

Como em toda doença crônica, o sucesso do tratamento exige do comprometimento do paciente com o esquema recomendado. O que deve incluir medicação, tratamento das alterações imunológicas e mudanças no estilo de vida.

 

Dr. Javier Ricardo Carbajal Lizárraga
CRM/SP 92607
Especialista em Alergia e Imunologia

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