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Candidíase Vaginal Recorrente I – Definindo conceitos…

Vaginite por Cândida, Vulvovaginite por Cândida, Candidíase Vulvovaginal ou simplesmente Candidíase Vaginal, é a inflamação do trato genital feminino inferior, incluindo vulva, vagina e epitélio escamoso do colo uterino (ectocérvice) causada por fungos leveduriformes do gênero Cândida. É uma condição comum que afeta 70% a 75% das mulheres pelo menos uma vez em suas vidas, sendo geralmente fácil de diagnosticar e tratar na maioria dos casos.shutterstock_363452303
Candida é uma levedura, com alternância reversível entre a forma unicelular (blastósporo) e a forma filamentosa (hifas e pseudo-hifas).
Estas leveduras pertencem à flora normal dos seres humanos e podem colonizar as mucosas dos tratos genitais, urinários, respiratórios e gastrointestinais, bem como a cavidade oral, unhas, couro cabeludo e pele. Candida albicans é normalmente encontrado em pequenas quantidades em portadoras assintomáticas. Neles está presente predominantemente na forma unicelular, ao invés da forma relativamente mais patogênica (hifa) encontrada em mulheres com vaginite sintomática.
A maioria, se não todas as mulheres, carregam Candida na vagina em algum momento de suas vidas, ainda sem sintomas de infecção. estudos de prevalência indicam que 20 a 25% das mulheres saudáveis que são completamente assintomáticas têm culturas vaginais positivas para Cândidas.
shutterstock_541599316No entanto, algumas espécies de Candida podem transformar uma colonização assintomática em uma infecção. Assim, estas espécies são caracterizadas como oportunistas e podem mudar de inofensivas a patogênicas encima da variação das condições do hospedeiro. A infecção acontece quando ocorre desequilíbrio na microbiota normal e/ou nos mecanismos de defesa do indivíduo. É uma infecção fúngica oportunista.
Candida albicans é o agente causador da Candidíase Vaginal em aproximadamente 85 a 90% dos pacientes com culturas positivas de fungos vaginais. O restante dos casos é devido a espécies de Candida não-albicans, sendo as mais comum C. glabrata e C. tropicalis.
Candidíase Vaginal sintomática apresenta-se com sintomas que incluem coceira, queimação, dor, um corrimento vaginal anormal e dispareunia, com sinais que incluem edema e eritema vulvar e vaginal. O corrimento vaginal apresenta-se esbranquiçado com aspecto de nata de leite, acompanhado de intensa coceira na região da entrada da vagina, podendo se espalhar para a virilha e região anal.
Estima-se que 75% de todas as mulheres experimentará um episódio de Candidíase Vaginal em sua vida. Na verdade, a Candidíase Vaginal está entre os problemas clínicos mais comuns em mulheres em idade fértil.
Só nos Estados Unidos, cerca de 13 milhões de casos de Candidíase Vaginal ocorrem anualmente, representando 10 milhões de visitas ao ginecologista.
shutterstock_52248607Cerca de 5% das mulheres têm recidivas muito frequentes de Candidíase Vaginal (Candidíase Vaginal Recorrente). Quatro ou mais episódios de Candidíase, microscopicamente comprovada, por ano tem sido definida como Candidíase Vaginal Recorrente. Também há mulheres que não têm sintomas recorrentes senão que tem uma doença que é crônica, contínua e incessante.
O desenvolvimento da Candidíase Vaginal depende de uma combinação de fatores ligados ao hospedeiro e ao microrganismo. Parece haver um equilíbrio normal, mas delicado, entre Candida albicans, a flora bacteriana residente e outros mecanismos de defesa vaginais. Mudanças no ambiente vaginal promovem a transição de Candida albicans “saprófita” para Candida albicans “patogénica”. Em circunstâncias ainda não muito esclarecidas, a população destas leveduras aumenta, desencadeando uma vaginite irritante, com corrimento, que pode ser acompanhada por uretrite e disúria, muitas vezes simulando uma infecção do trato urinário.
Infecções por Candida são principalmente superficiais, mas em pacientes gravemente imunossuprimidos ou portadores de imunodeficiencias podem ocorrer infecções sistêmicas graves.
A maioria das mulheres altamente sintomáticas têm grande número de organismos e floreada vaginite exsudativa (sapinho), enquanto outras têm sintomas mínimos com um grande número de organismos, ainda, outras são altamente sintomáticas, mas sem aftas e com pequeno número de organismos. Este amplo espectro de observação clínica-laboratorial sugere que mais de um mecanismo patogênico é responsável pelas infecções vaginais recorrentes ou esporádicas.
shutterstock_176869352Embora não associada com mortalidade, a morbidade associada com Candidíase Vaginal Recorrente torna ela uma grande causa de sofrimento mental, causando depressão, grande desconforto, alteração da auto-estima, revolta, prejudicando o desempenho no trabalho e interferindo com as relações sexuais e afetivas.
Especialmente quando Candidíase Vaginal Recorrente é deixada sem tratamento, muitas complicações tem sido apontadas como suas consequências, tais como a doença inflamatória pélvica, infertilidade, gravidez ectópica, abscesso pélvico, aborto espontâneo e distúrbios menstruais.
Portanto, a prevenção, diagnóstico precoce e tratamento imediato de Candidíase Vaginal Recorrente, são essenciais para evitar os transtornos associados à doença e suas complicações.

Dr. Javier Ricardo Carbajal Lizárraga
Especialista em Alergia e Imunologia
CRM / SP 92607

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